Projeto

Sobre o mapeamento

Levantamento cartográfico das estampas produzidas em Sergipe, considerando seu patrimônio material e técnico.

O que o projeto investiga

Um levantamento cartográfico das estampas de Sergipe

O projeto Mapeamento de Estampas de Sergipe consiste na construção de um levantamento cartográfico das estampas produzidas em Sergipe, considerando seu patrimônio material e técnico. O estudo foca na identificação de gravuras e suas diversas técnicas, destacando contextos sociais e históricos que envolvem essa expressão artística. A pesquisa é conduzida na Grande Aracaju, abrangendo a capital e os municípios de São Cristóvão, Nossa Senhora do Socorro e Barra dos Coqueiros.

Recorte territorial

Aracaju, São Cristóvão, Nossa Senhora do Socorro e Barra dos Coqueiros.

Ênfase nas trajetórias

Reconhecimento de artistas, especialmente mulheres, e de percursos pouco visibilizados.

Diversidade técnica

Xilografia, serigrafia, calcografia, litografia, carimbos artesanais e gravura expandida.

Memória cultural

Preservação de saberes, processos, repertórios visuais e modos de fazer sergipanos.

Motivação e justificativa

Por que mapear?

A gravura e a estamparia artesanal são expressões artísticas tradicionais em Sergipe, mas carecem de um levantamento sistemático que permita compreender sua relevância cultural, histórica e econômica. Este estudo preenche essa lacuna e fornece dados que embasam políticas públicas, estratégias de fomento e iniciativas de empreendedorismo no setor da economia criativa.

A estamparia possui um potencial econômico significativo, especialmente para os setores do artesanato, moda, design e turismo, podendo impulsionar iniciativas de empreendedorismo e gerar impacto positivo na economia local. Além disso, o projeto contribui para a preservação da memória cultural e a valorização das técnicas tradicionais, fortalecendo a identidade e a cultura visual do estado.

Fortalecimento da economia criativa

Geração de oportunidades de negócios e empreendedorismo no setor da estamparia.

Preservação da memória cultural

Valorização das técnicas tradicionais e fortalecimento da identidade visual de Sergipe.

Inovação e capacitação

Promoção de técnicas contemporâneas de estamparia por meio de oficinas e workshops.

Subsídio para políticas públicas

Fornecimento de dados concretos para a formulação de políticas de fomento à cultura e à economia criativa.

Resultados

O que a pesquisa revelou

41
Artistas entrevistados
94
Estampas no acervo
4
Municípios do recorte
2026
Dossiê analítico

O Mapeamento de Estampas de Sergipe, executado com recursos da PNAB Edital n.º 02/2025 Observatórios de Cultura e Economia Criativa/FUNCAP, realizou 40 entrevistas com artistas da gravura — 18 mulheres e 22 homens. Todos realizaram apresentação de suas principais estampas, com entrevistas gravadas em vídeo, e foram coletadas informações e fotografias do Território, Objetos e Materiais. Os principais resultados gerados foram: identificação e sistematização de dados sobre artistas que atuam na área de gravura em Sergipe, principalmente mulheres; a criação de um acervo de estampas; o registro em vídeo de maneiras e técnicas de gravura; a conexão entre artistas produtoras e produtores e o reconhecimento coletivo da área.

O projeto consolida-se como o mais abrangente diagnóstico do setor de gravura na Grande Aracaju. A pesquisa evidencia:

  • Um campo artisticamente qualificado e diverso, mas economicamente vulnerável.
  • Forte demanda por políticas públicas (editais, espaços equipados, formação).
  • Potencial de organização coletiva.
Leitura crítica

Por que falar de Gravura em Sergipe?

Falar da gravura em Sergipe é, antes de tudo, falar de resistência, diversidade e potência criativa. Longe de ser uma prática homogênea ou restrita a um único estereótipo, o universo da estampa artesanal no estado revela um ecossistema cultural vibrante, composto por 40 artistas mapeados na Grande Aracaju, cujas trajetórias e técnicas desafiam qualquer generalização.

85%

Xilografia

A xilografia é a técnica predominante, utilizada por 85% dos artistas.

80%

Ensino superior

80% dos artistas possuem ensino superior; a UFS é o principal local de aprendizado para 62,5% deles.

7,5%

Vivem da gravura

Apenas 7,5% dos artistas vivem exclusivamente da gravura — 45% produzem em espaços domésticos adaptados.

Pesquisa e formação

A universidade consolida a produção local como espaço de reflexão crítica e poética.

Docência e transmissão

72,5% dos artistas atuam como professores ou oficineiros, garantindo continuidade do saber.

Diversidade

Campo majoritariamente negro (57,5%), com forte presença feminina (40%) e de artistas não-binários (5%).

Potencial e vulnerabilidade

Editais específicos (67,5%) e espaços públicos equipados (50%) são as principais demandas.

Portanto, o Mapeamento de Estampas de Sergipe não é um catálogo nostálgico do passado, mas um diagnóstico do presente. É um esforço para visibilizar uma produção que é, ao mesmo tempo, ancestral e futurista, manual e conceitual, popular e erudita — da xilogravura à colagrafia, do ateliê universitário à cozinha adaptada como laboratório.

O Dossiê Analítico

O Dossiê Analítico do Mapeamento de Estampas de Sergipe será publicado em junho de 2026 e servirá como referência para pesquisa, formulação de políticas e difusão do setor.